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Cooperativismo agrícola necessita de investimento e crédito

Governo estuda novas formas de financiamento do agronegócio, mas oferta de crédito rural oficial atende apenas 33% da demanda dos agricultores. Informação estratégica facilita captação de recursos

O cooperativismo é prioridade para o Governo Federal. O presidente Lula tem reiterado sua disposição em tornar o País uma das nações mais cooperativistas do mundo. O próprio ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, viveu boa parte de sua carreira associativista na área de cooperativas, tendo ocupado a presidência de várias entidades representativas no Brasil e no Exterior, como a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), entre 1997 e 2001.

No agronegócio, responsável por 33% do PIB nacional, 37% de todos os empregos e pela quase totalidade do superávit na balança comercial, o cooperativismo ainda está voltado para o mercado interno, com algumas exceções. As 1.519 cooperativas do setor agropecuário congregam 940 mil agricultores associados, ou seja, 20% do total estimado de agricultores brasileiros (4,7 milhões de propriedades). Em dezembro de 2003, a participação das cooperativas agrícolas brasileiras na produção agrícola da soja, principal commodity de exportação da área, era de 29,4%. Com relação à capacidade estática de armazenagem da produção agrícola, as cooperativas comportam 23,6% das 89,5 milhões de toneladas Além disso, a distribuição geográfica é irregular. As cooperativistas concentram-se nas Regiões Sul (29%) e Sudeste (55%). No Nordeste, há 8% do total de cooperativas. A Região Centro-Oeste, onde o agronegócio apresenta alto índice de desenvolvimento, participa com apenas 6% deste total, sendo seguida pela Região Norte, com 2%.
As cooperativas agrícolas e dos outros 12 ramos de atividade desempenham um importante papel socioeconômico. Devido à sua estrutura pulverizada e atomizada, elas se localizam muito mais próximas do mercado produtor e consumidor. No meio rural, o cooperativismo tem a seu favor também a capacidade de organização da produção (originação). Articuladas em núcleos, as cooperativas formam lotes de produtos para armazenamento, processamento e distribuição, conseguem melhores preços e reduzem os custos.

Como todo segmento, o cooperativismo, mesmo no agronegócio, ainda sofre com a dificuldade de acesso ao sistema financeiro eao crédito. Além disso, a gestão, de uma forma geral, ainda não é profissionalizada na dimensão necessária. Por isso, novas formas de fortalecer a capacidade de organização da produção do setor agrícola e de incentivo ao associativismo estão em gestação. O Ministério da Agricultura, por exemplo, elaborou o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), que disponibiliza para a safra de 1º de julho de 2004 a 30 de junho de 2005 um orçamento de R$ 550 milhões para melhorar a infra-estrutura física (armazenagem, por exemplo) e industrialização de matéria-prima. O programa é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e permite a captação de até R$ 20 milhões por cooperativa, a uma taxa de 10,75% ao ano e com um prazo de pagamento de até 12 anos.

Junto com a iniciativa privada, o Governo está construindo um novo modelo de financiamento de crédito e apoio à comercialização dos produtos agropecuários. O sistema atual tem três fontes básicas: 25% dos saldos de depósito à vista dos bancos privados; 50% da caderneta de poupança rural do Banco do Brasil e recursos para investimento dos Fundos Constitucionais e do Fundo de Amparo ao Trabalhador, via BNDES. Para ampliar a oferta de crédito rural, o Conselho Monetário Nacional autorizou dois bancos cooperativos – o Bancoob e o Bancicred – a receber depósitos de poupança de associados e aplicar 65% desses recursos em crédito rural.

Apesar destas iniciativas, os recursos disponibilizados pelo Governo representam apenas 33% dos cerca de R$ 99 bilhões necessários para atender à demanda de capital de giro do setor. Para atrair mais investimentos, foi apresentado ao mercado um projeto de novos títulos emitidos por agentes do agronegócios, lastreados em recebíveis do setor: Letras de Créditos Agrícolas (LCA), emitidas por instituições financeiras e cooperativas de crédito; Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), voltado para cooperativas e empresas ligadas ao agronegócio; e o Certificado dos Recebíveis do Agronegócio (CRA), emitido por empresas de securitização.Crédito mais fácil e planejamento vão capacitar as cooperativas a ampliar exportações agropecuárias. Estima-se que elas devem exportar US$ 1,7 bilhão em 2004, soma correspondente a pouco menos de 5% dos US$ 36 bilhões negociados no exterior.

O mercado agrícola é pautado pela existência de riscos extremamente relevantes. Por isso a indústria de informação estratégica para a agricultura tem de ser ampliada. Quanto mais dados disponíveis, melhores as condições de captação de recursos a custos mais baixos.

Ivan Wedekin
Profissão: Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Site: Não Fornecido
e-mail: spa@agricultura.gov.br

 

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