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Perspectivas do crédito ao consumidor

O ano de 2004 foi marcado por desempenho favorável dos indicadores econômicos, entre eles está a expressiva elevação do crédito ao consumo. Em que pese a fraca base de comparação, o saldo das operações de crédito destinadas às pessoas físicas cresceu, confrontando-se novembro de 2004 com novembro do ano anterior, 31,9%. Esse aumento foi bem superior ao verificado no saldo total das operações de crédito do sistema financeiro destinadas ao setor privado, que foi no mesmo período de 17,6%. Isso significa que houve aumento do volume total de crédito acima da inflação, mas a variação positiva do crédito às pessoas físicas foi bem superior àquela verificada para o crédito destinado às pessoas jurídicas.

Os dados de novembro de 2004 do Banco Central mostram que as modalidades que puxaram o aumento do crédito do sistema financeiro à pessoa física nos últimos 12 meses foram: crédito pessoal (responsável por 49,4% da elevação ocorrida) e a aquisição de veículos (responsável por 30,5% dessa elevação). Com contribuições bem menores, seguem o cartão de crédito e a aquisição de outros bens (com 7,6% cada).

A taxa de juros média cobrada pelas instituições financeiras das pessoas físicas em novembro de 2003 ficou em 68,2% ao ano. Em novembro de 2004, esse índice tinha caído para 63,4%. Nota-se que foi uma queda pequena e que a taxa permaneceu em níveis elevadíssimos. Assim, a mudança da taxa de juros não seria um bom fator explicativo para o incremento ocorrido no crédito ao consumidor. Que outros fatores estariam então em jogo?

O crescimento do crédito ao consumidor em 2004 está associado a alguns fatores. A retomada econômica elevou a confiança das pessoas e aumentou a demanda por crédito (o consumidor passa a ter confiança na manutenção do seu emprego e/ou aumento da sua renda e se sente mais seguro para se endividar). Além disso, houve mudanças da forma de operar do sistema de crédito. A existência do crédito consignado (empréstimo com desconto em folha de pagamento) permitiu que novos consumidores tivessem acesso ao empréstimo e outros trocassem dívida cara por dívida mais barata. Há também as parcerias criadas entre grandes bancos e grandes redes de varejo, o que melhora a oferta de dinheiro. Outro fator é a própria estabilidade macroeconômica. Em um cenário mais estável o risco da operação de crédito se reduz.

Um aspecto relevante a ser discutido ainda é se o volume de crédito ao consumidor continuará crescendo em 2005. As instituições financeiras estão otimistas e acreditam que haverá um aumento real significativo no próximo ano. Caso a atividade econômica permaneça em alta e a estabilidade financeira continue, há razões para se ter uma perspectiva otimista. No entanto, parece prudente pensar que se o crescimento econômico não se traduzir em aumento da renda dos trabalhadores haverá limites à expansão do crédito. Além disso, não parece que o Banco Central está disposto a aceitar um aumento intenso do crédito. As elevações seguidas da taxa Selic não deixam dúvidas a esse respeito.

João Pamplona
Profissão: assessor econômico da Equifax
Site: Não Fornecido
e-mail: Não Fornecido

 

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