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Perspectivas para crédito e inadimplência são positivas.

Espera-se que, com o crescimento da atividade econômica e a redução do custo financeiro das empresas, a inadimplência não repita o comportamento de 2005

Dados do Banco Central mostram que em 2005 o volume de crédito disponibilizado no sistema financeiro aumentou 24% em relação ao ano anterior, com expansão de 14% para pessoas jurídicas e 35% para pessoas físicas, o que se deve, neste caso, ao sucesso da implantação do crédito consignado em folha de pagamento. Em paralelo, também o número de cheques sem fundos cresceu: 26% no segmento de pessoas físicas e 34% no de pessoas jurídicas, sendo este último explicado pela menor capacidade de pagamento das empresas em razão do baixo crescimento do PIB, dos altos juros reais e do câmbio valorizado.

Em 2006, espera-se uma reativação da atividade econômica, com expectativa de queda na inflação no varejo, o que permitirá ao BC acelerar o ritmo de redução da taxa Selic, barateando os custos dos empréstimos e financiamentos. O aumento do salário mínimo para R$ 350,00, que injetará cerca de R$ 40 bilhões no mercado de consumo, e a expansão dos investimentos públicos, em ano de eleição, também contribuirão para o crescimento do PIB. Esses efeitos serão sentidos no segundo semestre, devido à defasagem entre os estímulos e os resultados macroeconômicos, que no Brasil tem sido, historicamente, de seis meses.

"No plano microeconômico, é necessário melhorar a qualidade da análise de crédito"

Espera-se que, com o crescimento da atividade econômica e dos níveis de emprego e de renda e a redução do custo financeiro das empresas, a inadimplência não repita o comportamento de 2005. No entanto, para garantir que isso efetivamente ocorra, é necessário, no plano microeconômico, melhorar a qualidade da análise de crédito, oferecer maior segurança jurídica e reduzir empecilhos burocráticos aos emprestadores de recursos. Medidas como a implantação do cadastro positivo para tomadores de crédito, a utilização de ferramentas oferecidas pelas empresas de gerenciamento de crédito e as reformas mi¬croeconômicas e jurídicas podem contribuir bastante para a queda da inadimplência no país. Já no plano ma¬croeconômico, somente com a redução substancial do endividamento público e a conseqüente queda das taxas de juros é que o país experimentará melhorias.

O Brasil ainda apresenta um volume relativo de crédito muito aquém do registrado nos países desenvolvidos e mesmo em países em desenvolvimento. A implantação de novos mecanismos de crédito de longo prazo, como os fundos de recebíveis, conhecidos por FIDC, e a expansão do crédito imobiliário devem proporcionar resultados positivos no mercado de crédito brasileiro, já em 2006, pois têm grande potencial de crescimento e apresentam boas garantias contra a inadimplência.

Portanto, apesar do aumento da inadimplência em 2005, a expectativa para 2006 é promissora.

Alcides Leite
Profissão: Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e professor do Centro de Conhecimento Equifax
Site: http://http://
e-mail: Não Fornecido

 

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