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Como interpretar relatórios de avaliação de crédito

Acesso a informações confiáveis sobre o mercado vale para empreendedores e para analistas de crédito

Os relatórios de avaliação de crédito apresentam diversas variáveis para se chegar ao potencial de risco de uma empresa. Porém, o analista tem de estar atento ao cenário conjuntural em que o cliente está inserido

O relatório de avaliação de crédito é uma consolidação do processo de análise de crédito. Nele estão contidos comentários a respeito da situação global de determinado cliente sob a forma de redação. Este artigo tem por objetivo fornecer um roteiro básico para confecção e interpretação deste importante instrumento de uma forma abrangente.
Estes dossiês podem versar sobre os seguintes aspectos, entre outros: administração e controle acionário, mercado, concorrência, produtos e clientes, crédito e riscos, vendas mês a mês, sazonalidade, retorno, lucratividade, nível de endividamento, estratégia financeira atual (captação, aplicação e serviços), ciclo operacional, geração de caixa projetada, posição de contas a receber, estoques, investimentos, projetos e perspectivas.
A avaliação da gestão engloba aspectos curriculares de seus administradores, organograma, níveis de decisões e sistema de informações gerenciais. Ressalta-se que grande parte dos colapsos financeiros decorre de um sistema administrativo e gerencial deficiente. Ainda sobre gestão empresarial, é oportuno saber se existe um sistema de informações eficaz ou se é mantido por simples necessidade fiscal.
A ausência de dados, ou seu uso indevido, quase sempre conduz o administrador a enganos, principalmente no caso da empresa haver optado por um novo projeto ou expansão. Daí a importância do acesso a informações confiáveis sobre o mercado, clientes e concorrentes. Isso vale tanto para empreendedores quanto para os analistas de crédito.

Outro tópico de fundamental importância é o aspecto operacional. Neste item deve-se avaliar o modus operandi da empresa, incluindo itens como: principais matérias primas e participação no custo do produto, fontes de suprimento, dependência de importação, disponibilidade (produção/consumo), comportamento dos preços, número de empregados, concentração geográfica, exportação, rede de distribuição, qualidade dos clientes e performance das instalações. Pelas demonstrações financeiras é difícil mensurar alguns aspectos e, por isso, para avaliação do risco de crédito, é importante conhecer in loco a empresa (parque industrial, layout, processo produtivo).

Os investimentos em empresas coligadas e controladas normalmente obedecem a uma estratégia que muitas vezes ultrapassa o aspecto financeiro. O método de avaliá-los através de balanços comparados ou consolidados deve merecer tratamento abrangente, e não se guiar somente pelos reflexos do método da equivalência patrimonial. Mais uma vez, a visão estratégica deve exercer a sua participação na quantificação dos efeitos econômicos e financeiros e verificar se são adequados à mesma. Somente uma análise consolidada ou comparada pode formar um conceito de crédito sobre o grupo econômico, obviamente quando as coligadas tiverem expressão em relação à empresa principal.

Quanto aos projetos de expansão, deve-se examinar o impacto na capacidade produtiva, cronograma, custo de infra-estrutura, financiamento e benefícios diversos advindos, tais como custos e economia de escala, por exemplo. Existe um aspecto muito importante, muitas vezes relegado a um plano inferior, principalmente para créditos de médio e longo prazo, que é a tradição da empresa em executar planos de expansão.

Empresas sólidas podem fracassar durante um processo de expansão em virtude de falta de pessoal especializado, estimativas irreais de custo e capital de giro, cronograma defasado e frustração de vendas.
A avaliação mercadológica certamente inclui riscos aliados aos produtos acabados e mercadorias. Merecem atenção neste capítulo o crescimento, produção e consumo histórico do mercado, comportamento dos preços de venda, perspectivas de produção, consumo e concorrência.

Além disso, é necessário separar os aspectos genéricos de condições de mercado das condições peculiares a cada empresa, ou seja, o risco da operação mercantil. Existem boas companhias em setores em crise e más companhias em setores em situação favorável. Definem-se como “risco da operação mercantil” os aspectos comerciais, jurídicos, tributários e cambiais que envolvem o desenvolvimento e a liquidação das operações mercantis.

Ao se elaborar a análise financeira, deve-se identificar causa e efeito futuro no comportamento geral da empresa. Afirmar, por exemplo, que o volume de vendas de uma empresa suplantou os índices inflacionários não tem nenhum fundamento se não se fizer correlação com as causas e o impacto deste fato na estrutura econômico-financeira presente e futura.

Adriano Blatt
Profissão: ministra cursos de crédito e cobrança na Equifax, é formado pela USP, pós-graduado nos Estados Unidos e é o autor brasileiro com maior quantidade de livros publicados versando sobre o tema
Site: Não Fornecido
e-mail: adriano@blatt.com.br

 

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