Só os mortos não mudam
Quando li esta expressão fiquei muito impressionado, porque acabei constatando a enorme quantidade de gente que ainda insiste em nos dizer e nos mostrar que está vivo, quando já não está. São pessoas (?) que parecem normais, parecem agir como normais, fingem ser normais e, no entanto, não passam de... mortos vivos. Pessoas que confessam que não conseguem mudar a si mesmas e dizem, por exemplo, "Ah ! na minha idade não dá mais para mudar", ou algo parecido.
Mas, se você não conseguir mudar você mesmo, mudará quem ou o quê? A resposta é ninguém nem absolutamente nada. Quais são as únicas coisas fatais em nossa vida? Eu lhe digo: os impostos, a morte e as... mudanças. Portanto, não mudar é contra nossa própria natureza. Mudar é fatal, mas não mudar é letal.
Historicamente, todo final de século é uma época de muitas e até violentas mudanças na vida da humanidade. Há cerca de duzentos anos, por exemplo, o homem tinha acabado de inventar a máquina, surgiram as produções em série, as empresas, mais precisamente as fábricas, nasceram as relações entre capital e trabalho e patrões e empregados - enfim, a máquina mudou tudo o que havia e no que se acreditava até então.
Há aproximadamente cem anos Henry Ford criou a linha de montagem do automóvel e mudou o centro econômico do mundo da Europa para os Estados Unidos. Ele colocou o carro ao alcance da população americana e isso, outra vez, mudou tudo o que havia e em que se acreditava então, pois o homem passou a se mover muito mais rápido, o que ampliou enormemente todas as "fronteiras" do mundo, sobretudo as econômicas.
Estamos tendo a rara felicidade de viver um final de década, de século e de milênio. Estamos, pois, vivendo sob a égide da mudança.
Hoje podemos somar telefone, televisão, informática e satélite, e nada mais será como antes. A sensação que tenho é que somos a última geração de uma civilização em extinção, exatamente igual à que nossos tataravós, há duzentos anos, e nossos avós, há cem, com toda a certeza devem ter sentido.
Provavelmente eles se sentaram em alguma varanda e disseram uns aos outros: "Não estou entendendo mais nada, deve ser o fim do mundo, não sei mais o que fazer". Exatamente o que estamos nos dizendo agora, só que sem a tala varanda que, com certeza, já foi substituída por um prédio.
Para todos aqueles que, entre nós, entendem que têm capacidade e disposição para mudar a si mesmos e, portanto, sua vida e seu trabalho, esta é uma época fantástica, em que quase tudo é permitido e o limite é estabelecido apenas pelo que nossa imaginação e criatividade forem capazes de fabricar.
Em contrapartida, para todos aqueles que, entre nós, entendem que não conseguem mudar a si mesmos e, portanto, não conseguem mudar sua vida e seu trabalho, esta é uma época de caos generalizado. Para eles a sensação é de fim de mundo.
Se é verdade que somos a última geração de uma civilização que acabou, temos de ser também a primeira da nova civilização, e aqueles que não conseguem muda a si mesmo não farão parte dela, pois estão se condenando ao passado. Se você não estiver no futuro hoje, estará no passado amanhã. Isso é fatal e letal.
Estamos vivendo uma época em que, na vida e no trabalho, risco, perigo e prazer andam juntos. Não há como viver um sem a presença dos outros. Não é possível, por exemplo, muda a empresa sem mudar antes as pessoas.
E, assim como não podemos ser como foram nosso pais e avós, também nossas empresas não podem continuar sendo como as do passado. É por isso que temos de nos reformular totalmente como pessoas e como profissionais e, conseqüentemente, reformular nossas empresas para transformá-las em casas de negócios.
Parece que sofisticamos tanto as coisas que acabamos nos esquecendo da lição mais básica da existência de uma empresa, que é a seguinte: para que serve a empresa? Serve, em primeiro lugar, para ganharmos dinheiro. Esta é a resposta pura e simples. Não adianta absolutamente nada ter empresa e não ganhar dinheiro, pois ninguém sobrevive sem lucro. Nossas empresas têm de deixar de ser empresas para se tornar fábricas de negócios. E isso precisa ser imediato. Lembre-se de que, se você não estiver no futuro hoje, estará no passado amanhã, sendo que o passado é a empresa e o futuro, a casa (a fábrica) de negócios.
Responda para si mesmo o seguinte: quem paga suas contas? A empresa ou os negócios? Quem paga seu salário? A empresa ou os negócios? Portanto, ou passamos a fabricar negócios, ou... é o fim de sua empresa e, conseqüentemente, se seu mundo.
Responda ainda: quanto você investiu para ter sua empresa? Quanto você investe para fazer negócios? Ou então responda o seguinte: como eram as relações da antiga empresa com fornecedores, funcionários e clientes? Como têm de ser essas relações hoje? Em outras palavras, como uma casa de negócios se relaciona com fornecedores, funcionários e clientes? Mudou tudo. Então, como não mudar a si mesmo?
Não esqueça que só os mortos não mudam. E os que não mudam, se não estão mortos hoje, estarão amanhã. Isso é fatal e letal.
Eduardo Botelho
Profissão: diretor do site www.eduardobotelho.com.br
Site: Não Fornecido
e-mail: Não Fornecido
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